Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui.Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes. (F.Pessoa)
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A República
Res publica é um termo latino que significa, à letra, coisa pública ou coisa do povo. O termo refere-se à doutrina política defensora de um regime em que o povo, em liberdade e sem coação de qualquer espécie escolhe e elege os seus governantes por um determinado período de tempo. Herdeira da ideologia Iluminista e liberal dos sécs XVIII e XIX, a República defende a liberdade, a igualdade perante a lei e o estabelecimento de uma sociedade laica.

Diz o que entendes por República
Interpreta o simbolismo da gravura
Portugal 1910-1926
Situação económica
Agricultura
Economia predominantemente agrícola.
Carência de cereais.
Incentivo à criação de gado, cultura da oliveira, pomares e produtos agrícolas.
A Norte, predomínio da pequena propriedade.
A Sul, grandes propriedades.
Elaboração de projectos de lei, com o objectivo de incrementar uma Reforma Agrária. Todavia, não foram postos em prática.
Indústria
Fraca industrialização.
Falta de matérias-primas.
Reduzida produção de energia eléctrica. –
Economia predominantemente agrícola.
Carência de cereais.
Incentivo à criação de gado, cultura da oliveira, pomares e produtos agrícolas.
A Norte, predomínio da pequena propriedade.
A Sul, grandes propriedades.
Elaboração de projectos de lei, com o objectivo de incrementar uma Reforma Agrária. Todavia, não foram postos em prática.
Indústria
Fraca industrialização.
Falta de matérias-primas.
Reduzida produção de energia eléctrica. –
Principais indústrias desenvolvidas:
Têxtil; Química; Cimenteira; Conservas.
Comércio externo
Balança comercial deficitária
Exportações: Vinho;Cortiça;Conserva de peixe;Têxteis baratos.
Importações: Máquinas; Matérias-primas; Produtos industriais.
Têxtil; Química; Cimenteira; Conservas.
Comércio externo
Balança comercial deficitária
Exportações: Vinho;Cortiça;Conserva de peixe;Têxteis baratos.
Importações: Máquinas; Matérias-primas; Produtos industriais.
Educação
Ensino Infantil:
Criação de Jardins-Escolas João de Deus.
Ensino Primário:
Obrigatório para todas as crianças, entre os sete e dez anos;
Criação dos Conselhos de Assistência Escolares;
Criação de Escolas Primárias.
Combate ao analfabetismo:Criação de Escolas Móveis.
Ensino Secundário:
Desenvolvimento das Escolas Técnicas e dos Liceus.
Ensino Superior:
Criação das Universidades do Porto e Lisboa;
Lisboa - Criação da Faculdade de Direito;
Criação do Instituto Superior Industrial;
Criação do Instituto Superior Comercial;
Criação da Escola de Medicina Veterinária.
Formação de Professores:
Criação das Escolas Normais Superiores.
Educação Permanente:
Universidades Populares e Livres.
Criação do Ministério da Instrução Pública.
Ensino Infantil:
Criação de Jardins-Escolas João de Deus.
Ensino Primário:
Obrigatório para todas as crianças, entre os sete e dez anos;
Criação dos Conselhos de Assistência Escolares;
Criação de Escolas Primárias.
Combate ao analfabetismo:Criação de Escolas Móveis.
Ensino Secundário:
Desenvolvimento das Escolas Técnicas e dos Liceus.
Ensino Superior:
Criação das Universidades do Porto e Lisboa;
Lisboa - Criação da Faculdade de Direito;
Criação do Instituto Superior Industrial;
Criação do Instituto Superior Comercial;
Criação da Escola de Medicina Veterinária.
Formação de Professores:
Criação das Escolas Normais Superiores.
Educação Permanente:
Universidades Populares e Livres.
Criação do Ministério da Instrução Pública.
Dificuldades Governativas na 1ª República

Durante os 16 anos da 1ª República o país conheceu 45 governos. Alguns deles duraram apenas uns dias e outros não chegaram a tomar posse. Nos últimos seis anos da 1ª experiência republicana no nosso país houve 30 governos!. Por outro lado, desde quase o início, o regime parlamentar foi interrompido por golpes militares que instauraram períodos de ditadura (pimenta de Castro, 1915; Sidónio Pais, 1917-1918). A insegurança pública era frequente - agressões físicas, ataques bombistas, assassinatos, que vitimaram, entre outros, o próprio Sidónio Paisem 1918.
Face à situação em que o país vivia, o número de descontentes com a República aumentava dia a dia: os católicos estavam revoltados com as medidas tomadas contra a Igreja - expulsão das ordens religiosas, separação da Igreja do Estado, estabelecimento do registo civil; corte de relações com a Santa Sé
os monárquicos manifestavam-se contra a República - interessados em restaurar o regime de que eram adeptos, fizeram vários levantamentos militares; nos inícios de 1919, durante quase um mês, chegaram mesmo a restabelecer a monarquia em Trás-os-Montes, Minho e Beiras até ao rio Vouga (Monarquia do Norte);
o povo e as classes médias estavam descontentes com o aumento do custo de vida e com as greves e constantes alterações da ordem pública.
Assim, face ao clima de instabilidade e à falta de realizações, a maioria da população estava farta e receptiva a novas soluções políticas que não tardariam a chegar vindas de Braga na ponta das baionetas.
Laicismo - Separação entre o Estado e a Igreja
O Governo Provisório e a Igreja Católica
O sentimento profundamente anticlerical que os republicanos desde sempre tinham manifestado foi posto em prática por Afonso Costa, ministro da Justiça do Governo Provisório. Este republicano considerava o clero como aliado da monarquia e, por isso, uma força nociva à liberdade de consciência e de culto.
No dia 10 de Outubro de 1910, os Jesuítas e outras ordens religiosas foram expulsas, os seus bens passaram para o Estado e a sua utilização regulamentada. Uma parte desses bens era emprestada pelo Estado à Igreja Católica para a prática do culto religioso, enquanto a maior parte foi destinada ao funcionamento de instituições de apoio social ou ao ensino. O ensino religioso foi proibido nas escolas oficiais, foram cortads relações diplomáticas com a Santa Sé ( o que chocou a população maioritariamente católica) e foi encerrada a Faculdade de Teologia, em Coimbra.
As pastorais dirigidas aos fiéis pelos bispos só podiam ser divulgadas depois de previamente analisadas pelo governo. Foram abolidos os feriados religiosos nas escolas e repartições públicas e o juramento religioso nos tribunais. Só o casamento civil era considerado válido e legalizou-se o divórcio.
No dia 10 de Outubro de 1910, os Jesuítas e outras ordens religiosas foram expulsas, os seus bens passaram para o Estado e a sua utilização regulamentada. Uma parte desses bens era emprestada pelo Estado à Igreja Católica para a prática do culto religioso, enquanto a maior parte foi destinada ao funcionamento de instituições de apoio social ou ao ensino. O ensino religioso foi proibido nas escolas oficiais, foram cortads relações diplomáticas com a Santa Sé ( o que chocou a população maioritariamente católica) e foi encerrada a Faculdade de Teologia, em Coimbra.
As pastorais dirigidas aos fiéis pelos bispos só podiam ser divulgadas depois de previamente analisadas pelo governo. Foram abolidos os feriados religiosos nas escolas e repartições públicas e o juramento religioso nos tribunais. Só o casamento civil era considerado válido e legalizou-se o divórcio.
A caminho da ditadura?

Salazar (esqª) Gomes da Costa (centro) Óscar Carmona (drtª)
Maurício de Oliveira
Diário de um jornalista (1926-1930)

Comenta a frase destacada a negrito
1ª República Ideias-Chave
A monarquia constitucional, que já estava muito desprestigiada em Portugal no final do século XIX, viu a sua popularidade diminuir com o ultimato inglês de 1890. O partido que mais aproveitou com esse descontentamento foi o Partido Republicano, cuja importância na sociedade portuguesa não parava de crescer.
Em Fevereiro de 1908, o rei D. Carlos I e o príncipe herdeiro foram mortos num atentado. D. Manuel II subiu ao poder mas a Monarquia estava cada vez mais isolada.Em 5 de Outubro de 1910, um movimento militar, com um forte apoio popular, implantou a República em Portugal.
O regime republicano procurou diminuir a influência da Igreja Católica no Estado e tomou também várias medidas nas áreas do ensino e da legislação social. O conflito com a Igreja Católica, a difícil situação económica (agravada com a participação de Portugal na 1ª Guerra Mundial) e a instabilidade política criariam um clima de grande insatisfação entre a burguesia e nalguns sectores populares.
Em 28 de Maio de 1926, um golpe de Estado pôs fim à república parlamentar e instalou uma ditadura militar. Os militares chamaram para ministro da Finanças o professor António de Oliveira Salazar que iria ter uma longa permanência no poder.
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Objectivos de Aprendizagem
Hegemonia Europeia
A Europa dominava o mundo:
-fábrica do mundo;.
-principal centro de comércio.
-maior banqueiro mundial;
- enriquecimento provocado pela industrialização.
- domínio imperialista/colonialista sobre várias zonas do globo.
Identificar os países europeus mais industrializados.
Grã Bretanha, França, Bélgica, Alemanha
Relacionar o recrudescimento do imperialismo, com o desenvolvimento do capitalismo industrial e financeiro.
-obtenção de matérias primas a baixo preço;
-fazer reinvestimentos rentáveis;
-dominar novos mercados de escoamento de produtos.
Identificar e caracterizar as modalidades de que se reveste o imperialismo no século XIX.
-dominação política,
-dominação económica e financeira,
-dominação cultural.
Explicar o interesse da Europa pelo continente africano na 2ªa metade do século XIX.
Inesgotáveis potencialidades da África em matérias primas.
Identificar e localizar as principais potências coloniais do final do século XIX e respectivos territórios.
Impérios:
Britânico, Francês, Espanhol, Português, Alemão, Italiano, Belga.
Relacionar o esforço português de ocupação territorial, com a Conferência de Berlim.
Mapa Cor de Rosa e a ocupação efectiva do território entre Angola e Moçambique.
Ultimato inglês obriga Portugal a abandonar as pretensões formuladas no Mapa Cor de Rosa.
Materiais
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Da Rússia dos Czares à Rússia dos Sovietes
BREVE RESUMO
A Rússia nas vésperas da Revolução. O “Domingo Sangrento”
No início do século XX, a Rússia era um extenso império territorial que se encontrava numa situação de atraso em relação às mudanças ocorridas nos países da Europa ocidental, devido a:
uma monarquia absoluta, chefiada por um imperador, o czar, que concentrava em si todos os poderes;
uma sociedade hierarquizada: a Igreja, a Coroa e os aristocratas possuíam a maioria das terras; os camponeses (cerca de 80% da população) trabalhavam nestas terras e viviam numa situação de miséria extrema; os operários (cerca de 3 milhões) levavam uma vida de miséria e a burguesia, minoritária, tinha pouco poder económico e político;
uma agricultura arcaica de pouca produtividade que era, no entanto, a base da vida económica do país;
uma industrialização incipiente, iniciada apenas no final só século XIX. Os principais centros de comércio localizavam-se nas grandes cidades (Baku, Moscovo e São Petersburgo, entre outros) pois não existiam boas vias de comunicação, de maneira a espalhar o comércio pelo país.
A 22 de Janeiro de 1905 (9 de Janeiro pelo antigo calendário em vigor na Rússia nessa época), domingo, realizou-se uma manifestação em São Petersburgo, capital do império, para entregar ao czar no poder, Nicolau II, uma petição assinada por milhares de trabalhadores que reclamavam:
a melhoria das condições de vida;
o fim da censura;
a constituição de um parlamento (Duma).
A guarda do czar, em resposta à manifestação, disparou sobre os manifestantes, matando milhares de trabalhadores. Este dia ficou conhecido como “Domingo Sangrento”. Em consequência, ocorreram várias greves e surgiram conselhos de operários, de camponeses e de soldados (sovietes) que difundiam ideias revolucionárias. Os sovietes eram controlados pelo partido bolchevique, cuja chefia tinha sido confiada a Lenine, em 1903.
Embora o czar tenha prometido a criação de uma Duma, a existência de partidos políticos e de uma constituição, os revolucionários organizaram uma greve geral em Novembro. Como resposta, os sovietes foram ilegalizados e os líderes da oposição, incluindo Lenine, foram presos e exilados. Das promessas do czar apenas se manteve a Duma, entre 1906 e 1917. Mas esta era controlada pelos aristocratas e pelo czar que tinha o poder de a dissolver.
A participação da Rússia na I Guerra Mundial agravou a situação de miséria do seu povo, não só devido ao elevado número de mortos como também à escassez de alimentos e à subida dos preços.
A Revolução “Burguesa” e a Revolução Bolchevique
A crise económica e a agitação social foram aproveitadas pelas forças revolucionárias para divulgar as ideias liberais e socialistas, desencadeando manifestações e greves por todo o país. A 12 de Março (27 de Fevereiro) de 1917, milhares de manifestantes invadiram a sede da Duma (Palácio Tauride) em Petrogrado (São Petersburgo). Formaram-se dois comités: um constituído pelos deputados moderados da Duma e outro constituído pelos sovietes de Petrogrado. Este acontecimento ficou conhecido como Revolução “Burguesa”, Revolução Liberal ou Revolução de Fevereiro.
A 15 (2) de Março, o czarismo chegou ao fim: o czar Nicolau II abdicou e a Duma nomeou um governo provisório. Institui-se um regime liberal parlamentar. Porém, o novo governo começou logo a ser contestado pelo comité dos sovietes. Estes eram contra a intenção do governo de manter a Rússia na I Guerra Mundial e reclamavam a legitimidade para governar. Lenine, já regressado do exílio em Londres, defendia uma revolução que entregasse todo o poder aos sovietes.
De 6 a 8 de Novembro (24 a 26 de Outubro) deu-se a chamada Revolução de Outubro ou Revolução Bolchevique. A 7 de Novembro (25 de Outubro) a polícia militar bolchevique ocupou pontos estratégicos da cidade, prendeu os ministros do governo provisório e dissolveu a Duma. O poder governamental foi entregue, no dia 8 (26) ao Conselho dos Comissários do Povo, liderado por Lenine. Com esta Revolução iniciou-se um período de profundas transformações políticas.
A Rússia transformou-se numa República Soviética, em que os sovietes tinham mais poder que a Assembleia Constituinte, saída das eleições. Entre as medidas que foram tomadas pelo governo bolchevique encontramos:
paz imediata com a Alemanha (Tratado de Brest-Litovsk);
abolição de toda a propriedade privada, como fábricas, terras e minas, que foram nacionalizadas sem o pagamento de indemnizações aos seus proprietários;
requisição pelo Estado das colheitas agrícolas, exceptuando o indispensável para consumo próprio.
Lenine adaptou, assim, as ideias marxistas e adaptou-as à realidade russa, surgindo, assim, o Marxismo-Leninismo. O seu objectivo imediato era a Ditadura do Proletariado, que seria uma fase de transição para o seu objectivo final – o Comunismo. No Comunismo o operariado seria a classe dominante e todo o poder da burguesia (capital, terras e fábricas) seria transferido para o Estado, sendo que este tinha de garantir o bem-estar de toda a população.
Do comunismo de guerra à NEP. A construção da URSS
As medidas tomadas por Lenine conduziram a Rússia a um período de guerra civil (1918-1920) entre os defensores do antigo regime (russos “brancos”), que contavam com o apoio de países como a França, a Grã-Bretanha e os EUA, que receavam a expansão das ideias revolucionárias, e os defensores do actual regime (russos “vermelhos”).
A guerra civil e a forte oposição externa levaram Lenine a radicalizar as suas posições, adoptando um “comunismo de guerra” (1918-1921), tomando várias medidas, tais como:
a proibição de outros partidos políticos, além do Partido Comunista-Bolchevista;
a instauração da censura;
a constituição de uma polícia política – Tcheka;
a perseguição, a prisão, a tortura e a morte dos adversários políticos.
A guerra civil terminou em 1920, com a vitória do Exército Vermelho (russos “vermelhos”) e arruinou o país. O “comunismo de guerra” contribui para aumentar o descontentamento da população, surgindo revoltas, greves e manifestações. Por isso, Lenine implantou a Nova Política Económica (NEP), retornando ao “capitalismo limitado por um tempo limitado”.
Com a NEP, embora o Estado continuasse a controlar os principais sectores da economia, este permitia:
pequenas unidades privadas de produção agrícola e industrial;
a entrada de capitais e técnicos estrangeiros;
alguma liberdade de comércio, como por exemplo, a venda livre de produtos agrícolas.
Com a implementação da NEP, os níveis de produção aumentaram e, consequentemente, permitiu a melhoria das condições de vida da população e estabilidade política.
Em 1922, para atrair os povos que tinham sido anexados à Rússia e que possuíam etnias, línguas, costumes e religiões diferentes para o “espírito bolchevista”, Lenine conseguiu que fosse aprovada a fundação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
A sua Constituição, aprovada em 1923, estabeleceu a Federação de Estados e reconheceu as diferentes nacionalidades e a diversidade cultural.
No início do século XX, a Rússia era um extenso império territorial que se encontrava numa situação de atraso em relação às mudanças ocorridas nos países da Europa ocidental, devido a:
uma monarquia absoluta, chefiada por um imperador, o czar, que concentrava em si todos os poderes;
uma sociedade hierarquizada: a Igreja, a Coroa e os aristocratas possuíam a maioria das terras; os camponeses (cerca de 80% da população) trabalhavam nestas terras e viviam numa situação de miséria extrema; os operários (cerca de 3 milhões) levavam uma vida de miséria e a burguesia, minoritária, tinha pouco poder económico e político;
uma agricultura arcaica de pouca produtividade que era, no entanto, a base da vida económica do país;
uma industrialização incipiente, iniciada apenas no final só século XIX. Os principais centros de comércio localizavam-se nas grandes cidades (Baku, Moscovo e São Petersburgo, entre outros) pois não existiam boas vias de comunicação, de maneira a espalhar o comércio pelo país.
A 22 de Janeiro de 1905 (9 de Janeiro pelo antigo calendário em vigor na Rússia nessa época), domingo, realizou-se uma manifestação em São Petersburgo, capital do império, para entregar ao czar no poder, Nicolau II, uma petição assinada por milhares de trabalhadores que reclamavam:
a melhoria das condições de vida;
o fim da censura;
a constituição de um parlamento (Duma).
A guarda do czar, em resposta à manifestação, disparou sobre os manifestantes, matando milhares de trabalhadores. Este dia ficou conhecido como “Domingo Sangrento”. Em consequência, ocorreram várias greves e surgiram conselhos de operários, de camponeses e de soldados (sovietes) que difundiam ideias revolucionárias. Os sovietes eram controlados pelo partido bolchevique, cuja chefia tinha sido confiada a Lenine, em 1903.
Embora o czar tenha prometido a criação de uma Duma, a existência de partidos políticos e de uma constituição, os revolucionários organizaram uma greve geral em Novembro. Como resposta, os sovietes foram ilegalizados e os líderes da oposição, incluindo Lenine, foram presos e exilados. Das promessas do czar apenas se manteve a Duma, entre 1906 e 1917. Mas esta era controlada pelos aristocratas e pelo czar que tinha o poder de a dissolver.
A participação da Rússia na I Guerra Mundial agravou a situação de miséria do seu povo, não só devido ao elevado número de mortos como também à escassez de alimentos e à subida dos preços.
A Revolução “Burguesa” e a Revolução Bolchevique
A crise económica e a agitação social foram aproveitadas pelas forças revolucionárias para divulgar as ideias liberais e socialistas, desencadeando manifestações e greves por todo o país. A 12 de Março (27 de Fevereiro) de 1917, milhares de manifestantes invadiram a sede da Duma (Palácio Tauride) em Petrogrado (São Petersburgo). Formaram-se dois comités: um constituído pelos deputados moderados da Duma e outro constituído pelos sovietes de Petrogrado. Este acontecimento ficou conhecido como Revolução “Burguesa”, Revolução Liberal ou Revolução de Fevereiro.
A 15 (2) de Março, o czarismo chegou ao fim: o czar Nicolau II abdicou e a Duma nomeou um governo provisório. Institui-se um regime liberal parlamentar. Porém, o novo governo começou logo a ser contestado pelo comité dos sovietes. Estes eram contra a intenção do governo de manter a Rússia na I Guerra Mundial e reclamavam a legitimidade para governar. Lenine, já regressado do exílio em Londres, defendia uma revolução que entregasse todo o poder aos sovietes.
De 6 a 8 de Novembro (24 a 26 de Outubro) deu-se a chamada Revolução de Outubro ou Revolução Bolchevique. A 7 de Novembro (25 de Outubro) a polícia militar bolchevique ocupou pontos estratégicos da cidade, prendeu os ministros do governo provisório e dissolveu a Duma. O poder governamental foi entregue, no dia 8 (26) ao Conselho dos Comissários do Povo, liderado por Lenine. Com esta Revolução iniciou-se um período de profundas transformações políticas.
A Rússia transformou-se numa República Soviética, em que os sovietes tinham mais poder que a Assembleia Constituinte, saída das eleições. Entre as medidas que foram tomadas pelo governo bolchevique encontramos:
paz imediata com a Alemanha (Tratado de Brest-Litovsk);
abolição de toda a propriedade privada, como fábricas, terras e minas, que foram nacionalizadas sem o pagamento de indemnizações aos seus proprietários;
requisição pelo Estado das colheitas agrícolas, exceptuando o indispensável para consumo próprio.
Lenine adaptou, assim, as ideias marxistas e adaptou-as à realidade russa, surgindo, assim, o Marxismo-Leninismo. O seu objectivo imediato era a Ditadura do Proletariado, que seria uma fase de transição para o seu objectivo final – o Comunismo. No Comunismo o operariado seria a classe dominante e todo o poder da burguesia (capital, terras e fábricas) seria transferido para o Estado, sendo que este tinha de garantir o bem-estar de toda a população.
Do comunismo de guerra à NEP. A construção da URSS
As medidas tomadas por Lenine conduziram a Rússia a um período de guerra civil (1918-1920) entre os defensores do antigo regime (russos “brancos”), que contavam com o apoio de países como a França, a Grã-Bretanha e os EUA, que receavam a expansão das ideias revolucionárias, e os defensores do actual regime (russos “vermelhos”).
A guerra civil e a forte oposição externa levaram Lenine a radicalizar as suas posições, adoptando um “comunismo de guerra” (1918-1921), tomando várias medidas, tais como:
a proibição de outros partidos políticos, além do Partido Comunista-Bolchevista;
a instauração da censura;
a constituição de uma polícia política – Tcheka;
a perseguição, a prisão, a tortura e a morte dos adversários políticos.
A guerra civil terminou em 1920, com a vitória do Exército Vermelho (russos “vermelhos”) e arruinou o país. O “comunismo de guerra” contribui para aumentar o descontentamento da população, surgindo revoltas, greves e manifestações. Por isso, Lenine implantou a Nova Política Económica (NEP), retornando ao “capitalismo limitado por um tempo limitado”.
Com a NEP, embora o Estado continuasse a controlar os principais sectores da economia, este permitia:
pequenas unidades privadas de produção agrícola e industrial;
a entrada de capitais e técnicos estrangeiros;
alguma liberdade de comércio, como por exemplo, a venda livre de produtos agrícolas.
Com a implementação da NEP, os níveis de produção aumentaram e, consequentemente, permitiu a melhoria das condições de vida da população e estabilidade política.
Em 1922, para atrair os povos que tinham sido anexados à Rússia e que possuíam etnias, línguas, costumes e religiões diferentes para o “espírito bolchevista”, Lenine conseguiu que fosse aprovada a fundação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
A sua Constituição, aprovada em 1923, estabeleceu a Federação de Estados e reconheceu as diferentes nacionalidades e a diversidade cultural.
Thursday
Propaganda e Realidade
Revolução Russa (Esquema Conceptual)
Nas vésperas da revolução soviética, a Rússia constituía, tanto do ponto de vista social, como económico e político, uma sociedade de Antigo Regime. O agravamento das dificuldades do regime czarista e da população em geral, durante a 1ª Guerra Mundial, ajudam a explicar a Revolução de 1917.
Entre avanços e recuos (revolução liberal de Fevereiro, revolução bolchevique de Outubro, a nacionalização de toda a economia, de novo a privatização), a Rússia transformou-se em U.R.S.S. ainda antes de Lenine morrer (1924). Sucedeu-lhe Estaline, que vai dominar o P.C.U.S. (Partido Comunista da União Soviética) e a U.R.S.S.( União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) até 1953, ano da sua morte. O Regime, esse, continuaria até 1991.
O Comunismo de Guerra

Os Bolcheviques tomaram o poder através de uma contra-revolução, um golpe de estado, em Outubro de 1917. Depois de 1918, os seus adversários políticos foram a facção Menchevique, os Csaristas, antigos oficiais zangados com a retirada da Rússia da Guerra e a perda de vastos territórios ( Polónia e Finlândia ), os grandes proprietários a quem Lenine havia nacionalizado as terras, americanos, franceses e ingleses que temiam revoluções comunistas por todo o lado e enviaram tropas e ajuda aos Brancos ( Mencheviques) para derrotarem os Bolcheviques.
Na guerra civil que se seguiu , Lenine irá tomar uma série de medidas que ficarão conhecidas por Comunismo de Guerra:
- nacionalização de todos os meios de produção,
- proibição dos partidos políticos (com excepção do partido comunista-Bolchevique)
- estabelecimento da censura criação da policia política, a polícia da revolução -a Tcheca,
- perseguição tortura e assassinatos aos adversários políticos...
O horror e a miséria que a Rússia sempre havia conhecido, estavam para durar.

Cartaz de propaganda bolchevique mostrando a interferência das potências estrangeiras no conflito
1919
1919
Labels:
Comunismo de Guerra,
Revolução Russa 1917
Tuesday
Cicatrizes da 1ª Guerra Mundial
Mesmo depois de passados 100 anos , ainda são visíveis os estragos que o rebentamento de bombas fizeram nas paisagens do norte da França
Monday
Saturday
Guerra de Posições ou das Trincheiras
2ª Fase - 1914 a 1917
Características:
• Em Nov/Dez 1914 tem início a guerra de trincheiras:os avanços são poucos, as condições são duríssimas e as mortes são muitas
• Utilização em larga escala de tanques e metralhadoras
• Bombardeamento por parte da aviação de cidades e tropas
• Estados Unidos declaram oficialmente sua neutralidade
Otto Dix- Trincheiras
Características:
• Em Nov/Dez 1914 tem início a guerra de trincheiras:os avanços são poucos, as condições são duríssimas e as mortes são muitas
• Utilização em larga escala de tanques e metralhadoras
• Bombardeamento por parte da aviação de cidades e tropas
• Estados Unidos declaram oficialmente sua neutralidade
Friday

No início do século XX, a Europa encontrava-se no apogeu da sua força: era a primeira potência industrial, comercial e financeira. Colocara sob o seu domínio a maior parte de África e da Ásia. No entanto, passou a ter que enfrentar dois novos concorrentes: os Estados Unidos e o Japão.
As rivalidades económicas e as tensões nacionalistas conduziram o continente europeu a um longo e mortífero conflito armado, a 1ª Guerra Mundial (1914-1918).
Os Impérios Coloniais em finais do séc. XIX
Na 2ª metade do século XIX vários países industriais europeus expandiram-se para outros continentes, em particular para África, por razões económicas, políticas e culturais.
Em 1884-18851 na Conferência de Berlim, estabeleceu-se o princípio da ocupação efectiva do continente africano. Então, formaram-se vastos impérios coloniais, com destaque para os da Inglaterra e da França.
Em 1884-18851 na Conferência de Berlim, estabeleceu-se o princípio da ocupação efectiva do continente africano. Então, formaram-se vastos impérios coloniais, com destaque para os da Inglaterra e da França.

Impérios Coloniais
Tuesday
Entre a ditadura e a democracia
A Europa sob o Fascismo
Descrever o contexto económico, social e político que favoreceu a expansão da ideologia fascista e a chegada de Mussolini ao poder.
Distinguir os princípios fundamentais do fascismo.
Identificar as principais medidas empreendidas pelo regime fascista que o caracterizam como um regime totalitário.
Relacionar o surgimento do Partido Nacional-Socialista alemão com o significado do Tratado de Versalhes para a Alemanha.
Definir os princípios fundamentais do nazismo.
Identificar os meios de que se serviu Hitler para consolidar o nazismo na Alemanha.
Relacionar o crescimento económico empreendido pelo nazismo com os objectivos estratégico-militares do regime.
Identificar os princípios fundamentais defendidos pela ideologia do Estado Novo.
Justificar a designação de Estado autoritário e repressivo atribuída ao Estado Novo.
Identificar os meios de que se serviu Salazar para consolidar o regime saído do 28 de Maio de 1926
Descrever soluções democráticas na França e na Inglaterra para a ultrapassagem dos efeitos da crise de 29
Explicar o rebentar da guerra civil em Espanha
Descrever soluções democráticas na França e na Inglaterra para a ultrapassagem dos efeitos da crise de 29
Explicar o rebentar da guerra civil em Espanha
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